O festival Eletronika vinha fugindo um pouco de seus objetivos principais. Tanto que em 2009, teve como proposta retornar às origens. Desde o início, sempre buscou revelar artistas, num cenário mais alternativo. O local de cada edição é preferencialmente escolhido em nome de uma revitalização arquitetônica de Belo Horizonte. Além disso, o intercâmbio com outros países e a discussão das novas tendências tecnológicas é marca registrada do festival.
Em 2008, o evento teve como temática o centenário da imigração japonesa, trazendo brasileiros descendentes de japoneses, como o paulista Maurício Takara. Além disso, a japonesa Maki Nomiya, da banda Pizzicato Five, marcou presença cantando com Fernanda Takai. A mineira foi escolhida obviamente pelo tema, (sendo ela descendente de japonesa), e não por ser uma nova tendência. A cantora tem uma carreira consolidada e um status popular, com um espaço significativo no mercado.
Uma presença mais questionável foi a banda PexbaA. O grupo se apresentou pela quarta vez no Eletronika, sendo uma opção interessante como som alternativo, mas fechando a porta pra novidades.
Por fim, o local não foi uma boa escolha, pois é incompatível para um festival que se propõe revitalizar a arquitetura de Belo Horizonte. O Palácio das Artes não é a melhor escolha se comparado com outros lugares onde já foi realizado o evento e que tem maior necessidade de revitalização.
Reinventar o festival é um desafio que começou em 2009, e que deve continuar nos próximos anos em busca de uma melhor expressão dos ideais de fundação desta iniciativa cheia de história, realizações e perspectivas. O risco de cair na mesmice é real, o esforço de manter em pauta as novas tendências também.
Gáudio Luiz
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