Com tantas câmeras apontadas para todos os lados e de tão alta definição nenhum movimento passa despercebido nesse Mundial.
Os músculos do jogador, visivelmente, se contraem, enquanto ele salta para cabecear. A bola, ao seu toque, se deforma e vai para o gol, onde um goleiro com expressão de terror no rosto observa sua trajetória atentamente. Quem poderia ver isso? Jogadores, árbitros, bandeirinhas, gandulas e você. Espera um pouco… Você? Sim! Você. O sistema de câmeras utilizado pela FIFA na Copa do Mundo da África do Sul este ano permite isso. Tem câmera e efeito para todos os gostos: a Spidercam, para quem gosta de acompanhar as coisas de cima; a Sony 3D para quem gosta de se sentir parte integrante dos jogos; e o efeito Super Slow Motion, que dá o gostinho de se ver lentamente os melhores, e os não tão melhores, lances do jogo.
Localizado em Johannesburgo está o Centro Internacional de Transmissão (IBC), de onde saem para mais de 200 países as imagens dos jogos da Copa do Mundo. No que se assemelha a um galpão de mais de 30 mil metros quadrados está instalado o que há de mais novo, moderno e caro que existe atualmente no mundo da televisão. A função de todos os equipamentos, tais como salas de som, mesa de edição digitais, câmeras de alta definição e um grande sistema de computadores para transmissão de dados, é de receber e retransmitir todas as imagens e sons e tudo o que acontece nos estádios sul-africanos.
Não podemos deixar de dar maior destaque às novas tecnologias relativas às câmeras utilizadas neste Mundial, pois elas são responsáveis pelo o que vemos todos os dias em nossas casas e pela mudança no conceito de qualidade de imagem. Em cada estádio estão instaladas, em média, 30 câmeras de alta definição, sendo que algumas delas estão destinadas a captar imagens da expressão dos técnicos ou um jogador em especial, imagens da torcida, etc. A maior novidade são as câmeras Super Slow Motion responsáveis pelos efeitos que tanto impressionam os telespectadores.
Sony 3D
A Sony, patrocinadora da Copa, é claro, não perdeu a chance e levou suas câmeras 3D para fazer algumas imagens e mostrá-las a todo o mundo. A empresa japonesa instalou arenas, nas quais exibirá as imagens 3D, em sete cidades ao redor do globo: Berlim, Cidade do México, Paris, Roma, Sydney, e Rio de Janeiro. A seleção dos lugares foi feita conforme o grau de popularidade do futebol nos países. Não serão exibidos, contudo, jogos inteiros, apenas os melhores momentos de jogos já encerrados, como num compacto. No Rio, a arena está instalada na praia de Copacabana.
Estas câmeras funcionam de forma análoga ao olhar humano, com duas lentes que captam a mesma cena de pontos distintos. A ilusão de tridimensionalidade é dada pela sobreposição das imagens. Para que o efeito seja mais verossímil, deve haver um espaço de mais ou menos 6 centímetros entre uma lente e outra, como acontece com os nossos olhos. O efeito 3D, aparentemente é a nova tendência do mercado audiovisual, visto que grandes empresas como a Sony e a Fuji têm investido em peso nesta tecnologia.
Super Slow Motion
Sabe aquele efeito que sempre utilizam quando o campeão comemora um gol, no qual a velocidade de seus movimentos é diminuída ? Aqui no Brasil, ele recebe o nome de câmera lenta. Nos Estados Unidos, slow motion. O efeito, na verdade, consiste, simplesmente, em aumentar a duração das cenas, o que pode ser conseguido durante a filmagem ou durante a edição. Na Copa do Mundo, têm-se utilizado o primeiro truque para dilatar o tempo de gols, lances bonitos, e, até certo tempo atrás, jogadas polêmicas.
Como se não bastasse o efeito de slow motion, as câmeras também têm conseguido flagrar cenas que, para os padrões tradicionais de filmagem, seriam impensáveis. Como no caso do técnico da seleção alemã, Joachim Löw, que foi flagrado no banco, comendo (argh!) meleca de nariz durante um dos jogos da Copa. Foi o caso também de muitas jogadas que, segundo imagens exibidas posteriormente, deveriam ser invalidadas e não foram, como o segundo gol do Brasil contra a seleção da Costa do Marfim, ainda na primeira fase da Copa, no qual o jogador Luís Fabiano ajeitou a bola com o braço antes de mandá-la ao gol. O lance foi validado pelo juiz que, após vê-lo reprisado no telão, perguntou ao jogador se ele havia mesmo ajeitado a bola com o braço.
Spidercam
Com a ajuda de quatro cabos, passando por cima das cabeças dos jogares, a Spidercam tem esse nome por se assemelhar a uma aranha na teia. A câmera, que está sendo utilizada pela primeira vez numa Copa do Mundo e tem potencial para fazer imagens parecidas com as de um videogame, vem sendo subutilizada, segundo seu criador, o austríaco Jens Peters. Devido ao conservadorismo da Fifa e a questões de segurança, a câmera só foi autorizada a chegar a 25 metros do chão nos jogos, quando já chegou a 2 metros em um estádio na Itália. As expectativas são que essa tecnologia seja melhor aproveitada nos jogos de 2014.
Câmeras no Brasil
O destaque para a Copa no Brasil em 2014 é a tecnologia 4k3D, considerada superior ao 3D comum em termos de resolução. A tecnologia foi apresentada no evento Casa Brasil em Johannesburgo, no qual foi exibido o primeiro vídeo feito com a câmera, um jogo entre Grêmio e Internacional. Além da alta definição, a nova tecnologia traz uma velocidade de transmissão muito superior às convencionais, valendo-se da difusão via fibras fotólicas. A diferença entre o momento em que uma cena é filmada e o momento em que ela é exibida é de aproximadamente 60 milésimos de segundo. Este aprimoramento e os já utilizados durante a Copa deste ano têm tudo para serem aproveitados pelo Brasil. Agora é esperar pra ver como essas coisas vão se dar aqui.
Camila Rizzotti e Décius Diniz
Tags: 3D, 4k3D, áfrica do sul, slow motion, spidercam



